“Aeroporto de Lisboa Sem Tecnologia: Governo Desliga Sistema e Regressa ao Controlo Manual”
Sistema Europeu de Controlo de Fronteiras Suspenso por Três Meses em Lisboa: Alívio Operacional ou Risco de Segurança?
O Governo português anunciou a suspensão, por três meses, do novo sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A decisão surge após semanas de caos, filas intermináveis e críticas de diversos setores, que apontavam falhas graves na implementação do sistema biométrico e na capacidade operacional do aeroporto.
Por que o sistema foi suspenso?
Segundo o Ministério da Administração Interna, a suspensão é uma medida de “contingência” para lidar com o agravamento dos constrangimentos na zona de chegadas, especialmente para passageiros vindos de fora do Espaço Schengen.
Os problemas começaram logo após a entrada em funcionamento do novo sistema biométrico europeu, que exige:
recolha de dados faciais e digitais
preenchimento de um questionário com oito perguntas
validação manual adicional em casos de inconsistência
O processo, que deveria ser rápido, revelou-se muito mais lento do que o previsto, gerando filas de 7 a 8 horas para passageiros extracomunitários.
Além disso, a infraestrutura do aeroporto não suportou o fluxo, criando gargalos que se tornaram insustentáveis durante o período de maior movimento turístico.
Reforço imediato com militares
Com a suspensão, o Governo determinou o reforço imediato da GNR no controlo de fronteiras, substituindo temporariamente parte das funções desempenhadas pelo sistema automatizado.
A medida pretende:
acelerar o fluxo de passageiros
reduzir filas
evitar novos episódios de colapso operacional
Companhias aéreas e o setor do turismo elogiaram a decisão, afirmando que os constrangimentos estavam a prejudicar a imagem do país e a experiência dos visitantes.
Críticas e preocupações com segurança
Apesar do apoio do setor económico, a decisão gerou forte oposição de sindicatos policiais e partidos políticos.
O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia afirmou que a suspensão fragiliza a segurança nacional, ao reduzir a capacidade de verificar antecedentes criminais e identificar riscos de segurança entre passageiros extracomunitários.
O partido Chega classificou a medida como um “ato de irresponsabilidade extrema”, alegando que o Governo está a “abdicar de instrumentos fundamentais de verificação e controlo” e criando um “convite à entrada de pessoas sem verificação adequada”.
Bruxelas quer explicações
A Comissão Europeia também reagiu, afirmando que irá pedir “mais detalhes” a Portugal sobre os motivos e os planos para a suspensão, embora tenha esclarecido que a decisão não está relacionada com falhas no sistema europeu em si.
Portas abertas? O que muda na prática
Apesar das críticas, a suspensão não significa fronteiras totalmente abertas. O controlo continua a existir, mas:
será manual, feito por agentes da GNR e PSP
não utilizará o sistema biométrico europeu
dependerá da capacidade humana de triagem e verificação
Ou seja, o controlo não desaparece — apenas volta ao modelo tradicional, menos tecnológico, mas mais rápido no curto prazo.
O que esperar nos próximos três meses
Durante o período de suspensão, o Governo promete:
instalar mais e-gates
reforçar equipas humanas
reorganizar fluxos de passageiros
ajustar procedimentos para evitar novos colapsos
O setor do turismo espera uma melhoria imediata no atendimento e na fluidez das chegadas, enquanto sindicatos e opositores alertam para riscos de segurança e falta de planeamento estratégico.
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