"Quem sustenta quem? O impacto dos imigrantes na Segurança Social"

 


"Quem sustenta quem? O impacto dos imigrantes na Segurança Social"




    O partido Chega, em campanha para as presidenciais em Portugal, tem colocado a imigração no centro da sua narrativa política. Uma das teses defendidas é a de que o país perde milhões de euros em apoios destinados aos imigrantes. 

    Contudo, essa visão ignora a realidade dos processos legais e burocráticos. Um imigrante só pode aceder a apoios sociais após obter autorização de residência e comprovar contribuições regulares para a Segurança Social. 

     Dos milhares de estrangeiros inscritos no sistema, muitos ainda não possuem residência legalizada, o que significa que contribuem sem qualquer direito a subsídios em caso de despedimento, baixa médica ou reinserção social. A ideia de que os imigrantes vivem às custas do Estado não encontra respaldo nos números oficiais.

    Os dados mais recentes da Direção-Geral da Segurança Social revelam que, em 2024, os imigrantes contribuíram com 3,6 mil milhões de euros, recebendo apenas 380 milhões em prestações sociais. Ou seja, entregaram ao sistema cinco vezes mais do que receberam, reforçando o papel fundamental que desempenham na sustentabilidade da Segurança Social.   

    Nos últimos três anos, as contribuições dos estrangeiros aumentaram mais de 150%, enquanto os beneficiários nacionais diminuíram ligeiramente. Brasileiros representam o maior grupo, com cerca de 37% dos contribuintes estrangeiros. 

    Estes números desmontam a narrativa de que os imigrantes seriam um peso para o país, mostrando que, na prática, são eles que ajudam a equilibrar as contas públicas.

    Apesar disso, o discurso de extrema-direita insiste em explorar medos e preconceitos, alimentando um pensamento colonialista que vê os imigrantes como ameaça cultural e económica. 

    Essa retórica ignora não só os dados oficiais, mas também os relatos de dificuldades enfrentadas por quem chega: burocracia para legalizar filhos, barreiras para obter número da Segurança Social, abrir contas bancárias e enfrentar episódios de xenofobia. 

    A realidade é que os imigrantes sustentam o sistema, mas permanecem vulneráveis e muitas vezes sem acesso a direitos básicos. Cabe ao governo e à sociedade portuguesa rejeitar narrativas simplistas e reconhecer que a imigração não é um fardo, mas sim uma força vital para o futuro do país.

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