Carla Zambelli: por que mesmo com nacionalidade italiana está sujeita à extradição
Carla Zambelli: por que mesmo com nacionalidade italiana está sujeita à extradição
A detenção da deputada brasileira Carla Zambelli em Roma, em julho de 2025, abriu um debate jurídico e político que ultrapassa fronteiras. Conhecida por sua ligação ao bolsonarismo, Zambelli possui dupla nacionalidade — brasileira e italiana — e, por isso, muitos acreditaram que estaria automaticamente protegida contra qualquer pedido de extradição. No entanto, o caso mostra que a situação é mais complexa.
A Constituição italiana estabelece que cidadãos italianos não podem ser extraditados, salvo em casos previstos por tratados internacionais. É justamente aí que reside a questão: Zambelli possui dupla nacionalidade e o Brasil apresentou um pedido formal de extradição com base em condenações já transitadas em julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Como existe um tratado de cooperação judiciária entre Brasil e Itália, o Ministério Público italiano considerou que os crimes pelos quais ela foi condenada — invasão hacker e perseguição armada — têm equivalência penal na legislação italiana, abrindo caminho para a extradição.
Outro ponto relevante é que, mesmo que a Justiça italiana decida não extraditá-la, Zambelli não ficaria livre. Nesse cenário, ela poderia ser obrigada a cumprir pena em território italiano, já que os delitos são reconhecidos também pela lei local. Ou seja, a dupla nacionalidade não garante imunidade: apenas transfere a decisão para os tribunais italianos, que avaliam se a extradição é juridicamente possível ou se a pena deve ser cumprida na Itália.
O caso tem forte repercussão política no Brasil, pois envolve uma deputada em exercício e figura de destaque da extrema-direita. Para especialistas, a situação expõe como a dupla nacionalidade não é um escudo absoluto contra a justiça internacional, sobretudo quando há tratados de cooperação e crimes graves em causa. A audiência decisiva sobre o pedido de extradição está marcada para dezembro de 2025, e até lá Zambelli permanece detida em Roma, aguardando o desfecho que poderá definir se regressará ao Brasil para cumprir pena ou se ficará sob custódia da Justiça italiana.
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